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Ruy Duarte de Carvalho
Brasil Eu tenho os dias claros para o António Eu tenho os dias claros de sucessivas luas de Setembro e a noite que me impõe sinalizar as direcções cruzadas das mensagens verticais. Eu estou parado no meio do terreiro pastado dos meus passos e da minha gente, ando a ganhar noções de translação e a medir, pra meu governo, a cor do sol. Eu entardeço, sobretudo, pouco atento ao vento que não devo perturbar na sua rota alheia. Permito, quando muito, que me sinta o cheiro e deixo-o desfazer, furtivamente, molhos já secos de memória fêmea. Eu finjo que não sei de elásticas tensões da claridade e a cada passo meu faço estalar membranas frias que a tarde debruou em rente azul. Entendes, companheiro, eu estou aqui sentado e nu a procurar não ir além da bárbara carícia de um olhar sem tacto e que nem uma lágrima machuque a capa muito fina da lembrança que tenho para dar-te. De Chão de oferta, 1972
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